Comecei a me interessar pela economia sergipana a partir da criação do
Fórum Empresarial de Sergipe, da qual participei no final dos anos 90,
cuja agenda sempre priorizou a temática do desenvolvimento econômico do
Estado. Logo nos primeiros anos, os membros do Fórum produziram
documentos com propostas setoriais que foram encaminhados ao governo, um
deles versando sobre o turismo.
Daí em diante passei a conversar com empresários, ler estudos e examinar
pesquisas, sempre com especial interesse porque reconhecia a
importância desse setor como um dos agentes dinamizadores da nossa
economia. E aqui abro parêntese para evidenciar um problema que afeta o
desenvolvimento do nosso turismo e que acredito não ser fácil resolver: a
reduzida autoestima do sergipano que considera nossas praias menos
atrativas que as demais do Nordeste. Mas esse é tema para outro post.
Fecho parêntese.
Com o advento do governo Marcelo Déda assumi a titularidade da Sedetec
e, nos primeiros dois anos, a atuação com a Setur (à frente João Gama)
foi muito próxima, de verdadeira parceria. Em 2009, com a extinção daquela pasta, a função
turismo foi incorporada à Sedetec e, por quase dois anos, coordenei essa
política pública, fazendo algumas apostas sobre as quais comentarei a
seguir.
A primeira das apostas, aliás seguindo o que já vinha adotando na
Sedetec, foi garantir que a política do turismo também fosse formulada
de forma participativa. Para isso, propus ao governador (e ele acatou)
alterações no decreto que dispõe sobre o Fórum Estadual do Turismo, a
partir de discussões com representantes do trade turístico, dando mais
efetividade ao seu papel de protagonista da formulação e do
acompanhamento da política estadual do setor. Tornei regulares as
reuniões do Fórum e submeti aos seus membros (representantes do próprio
governo, da sociedade e do trade turístico) a validação do Plano
Estadual de Turismo (elaborado de forma participativa), da matriz de
investimentos do Prodetur Nacional/Sergipe e dos respectivos PDITS
(Plano de Desenvolvimento Integrado do Turismo Sustentável) dos pólos
Velho Chico e Costa dos Coqueirais.
A segunda aposta foi no Prodetur Nacional/Sergipe, cuja carta consulta foi elaborada e aprovada quando João Gama esteve à frente da Setur e tem investimentos previstos de US$ 100 milhões. Reformulei a
Unidade Coordenadora do Projeto e acelerei as tratativas junto ao MTur e
ao BID, sempre com o permanente apoio de José Roberto de Lima Andrade,
à época presidente da Emsetur. Ajustamos a matriz de investimentos para
guardar coerência com os PDITS (creio que pela primeira vez na história
do governo estadual um projeto dessa magnitude teve seus investimentos
definidos exclusivamente a partir de critérios técnicos), introduzimos
demandas da área da cultura e conseguimos conveniar com o MTur quase R$
30 milhões a título de antecipação de contrapartida não-reembolsável.
Nesse montante estão os recursos aplicados nas rodovias Santa
Luzia/Crasto e Convento/Pontal, além de cerca de R$ 6 milhões para
ações de promoção do destino turístico Sergipe.
A terceira aposta foi no turismo de eventos, desde sempre, e
inexplicavelmente, tratado sem muita ênfase tanto pelo governo, quanto
pelo próprio trade turístico. Logo no começo do governo, em 2007, a
Sedetec e a Setur ampliaram o apoio ao Aracaju Convention & Visitors
Bureau, mas o maior desafio continua sendo
superar as limitações do Centro de Convenções de Sergipe. Adepto da
filosofia popular de que o ótimo é o inimigo do bom, e ciente das
dificuldades de captar no mínimo R$ 50 milhões para construir um novo,
discuti com representantes do trade turístico e conclui que a ampliação e
reforma do CCS era viável e de baixo custo (cerca de R$ 10 milhões).
Fomos adiante e a Codise (titular do equipamento) elaborou o anteprojeto
e ainda captamos no MTur os recursos para a elaboração dos projetos de
engenharia. Quero crer que essa estratégia esteja mantida, sem prejuízo
de um projeto maior de um novo centro de convenções, até porque não há
qualquer restrição a termos dois, complementares, um médio e um grande.
Apesar de ter sido apenas um ano e sete meses, com discrição e
dedicação deixamos nossa modesta contribuição, que teve como uma marca importante a composição de uma equipe técnica nomeada com base nos melhores princípios da meritocracia. Pessoalmente foi grande o
aprendizado, sobre o qual quero compartilhar algumas conclusões com o
viés da boa e necessária crítica construtiva (e que assim seja recebida). Primeiramente,
conclui que o nosso trade turístico é por demais heterogêneo e suas lideranças pouco
propositivas, não valorizando e nem tirando proveito de espaços institucionais
nobres, como o Fórum Estadual de Turismo, preferindo exercer sua
influência a partir de relações pessoais com os dirigentes
governamentais de plantão.
Outra conclusão a que cheguei é que nossos especialistas e empresários
optam por fazer mais do mesmo, ao invés de exercitar a criatividade em
busca de novos modelos de atração de turistas e de fomento ao setor.
Fazer mais do mesmo, por exemplo, é só enxergar o turismo de lazer e
valorizar instrumentos como a mídia compartilhada que, na prática,
significa tornar-se refém da lógica perversa de certa operadora de
viagens, cujo hegemonismo impõe as regras de um jogo em que
invariavelmente ela ganha.
Por fim, mas não menos importante, estou absolutamente certo de que o
turismo em Sergipe vem se consolidando (é bem verdade que mais
lentamente do que desejamos) a partir de inegáveis esforços dos últimos
governos e do próprio trade turístico, e que as críticas aos seus
trabalhos devem ser feitas com responsabilidade e respeito, mas também precisam
ser recebidas com humildade e como inestimáveis contribuições.
Espaço para divulgar minhas ideias, alimentar polêmicas e interagir com quem desejar. Temas prediletos: negócios, tecnologia, economia e política.
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
Reflexões tecnológicas pela passagem de Steve Jobs
A perda neste 05/10/2011 de Steve Jobs, co-fundador da Apple (empresa de maior valor de
mercado do mundo atualmente) e precisamente definido como visionário, produziu
as mais diversas análises e considerações sobre a indústria da tecnologia da
informação (TI) e me estimularam a fazer minhas próprias reflexões (talvez
provocações).
Primeira delas:
apesar de estranhamente não ter visto em lugar algum, tenho certeza de que a
maior fonte de inspiração de Jobs foi Akio Morita, o discreto executivo da
japonesa Sony que tornou a empresa líder do segmento nos anos 80/90, partindo
da estratégia de "criar" necessidades. Em seu livro, Made in Japan,
ele conta como destronou a holandesa Philips com gadgets como o discman.
Mas Jobs foi
além de Akio. Ele "criou" necessidades (nunca teria valorizado nem
encomendado pesquisas de mercado para identificar gostos, necessidades e
tendências) e, ao mesmo tempo, apostou suas fichas em design e usabilidade (as
interfaces tinham que ser sempre intuitivas), sem abrir mão de tornar seus
produtos fashion, símbolo de status,
objeto de desejo de legiões de consumidores. Sem ter que inventar, ele deu
roupagem especial e singular a produtos que já existiam, desde o mouse até o
leitor de MP3, sem esquecer do tablet.
Aliás, o conceito de tablet não é
novo: no final dos anos 80 vi um especialista da IBM na Fenasoft, Rio de
Janeiro, apontando como tendência para a próxima década dispositivos do tipo prancheta.
Desde então, várias tentativas de produzir tablets
foram rejeitadas pelo mercado, até que Jobs enxergou ali a oportunidade de
criar uma nova necessidade: a de sofisticar o simplório Kindle da Amazon, que
houvera antecipado-se à Apple.
Se
introduzirmos nessa receita um último, mas não menos importante ingrediente, o
carisma pessoal de Jobs, o resultado não seria outro: a liderança de mercado em
um segmento altamente competitivo, que tem feito a concorrência comer poeira.
Não se pode desconsiderar, contudo, os dois pilares do modelo de negócios da
Apple: a verticalização (a empresa produz tudo, hardware e software, mesmo via
terceiros) e a propriedade (tudo é caixa-preta). Digo isso para fazer o
contraponto com as tecnologias livres (abertas, não-proprietárias), nas quais tem apostado um outro
gigante, a Google. Mas essa é outra conversa, assunto para próximas reflexões.
Outra coisa: as comparações
que estão sendo feitas entre Jobs e Bill Gates (fundador e chairman da Microsoft), são impróprias. Bill construiu diferente trajetória empresarial, igualmente hegemonista e também baseada em padrões
fechados, mas apostando com significativo êxito no mercado corporativo
(software e serviços para ambientes computacionais de médio e grande portes). O
largo espectro dos produtos da Microsoft variam de jogos eletrônicos até
gerenciadores de bancos de dados, razão pela qual a gigante disputa, ombro a
ombro, o segundo lugar com a não menos importante IBM.
Carisma,
talento, irreverência e visão de futuro à parte, acredito que Steve Jobs foi,
antes de tudo, um genial businessman.
Deixa sua marca e entra, pela porta da frente, na galeria daqueles que contribuíram
para o progresso da humanidade.
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
O apagão de mão-de-obra especializada
O crescimento da economia mundial trouxe uma consequência que atinge atualmente muitos países, inclusive o Brasil: a carência de mão-de-obra especializada, sobretudo nas atividades técnicas e tecnológicas, aí incluídas as engenharias, a computação e suas respectivas carreiras técnicas de nível médio.
Na área de Tecnologia da Informação (TI), embora o setor empregue atualmente 600 mil profissionais no país, apresenta déficit de cerca de 90 mil especialistas, de acordo com projeções do Observatório Softex. Mantida essa tendência, o déficit poderá chegar a 200 mil em 2013. Adicionalmente, de acordo com a Brasscom (associação que reúne empresas de TI de perfil exportador), apenas 85 mil estudantes concluem, em média, os cursos superiores de TI, de um total de 460 mil vagas oferecidas anualmente pelas instituições de ensino.
Com as engenharias o cenário é igualmente desalentador: são 197 mil vagas oferecidas e somente 120 mil preenchidas nos vestibulares. Já o número anual de graduados (dados de 2010) são, comparativamente, assustadores:
| País | Formados | |
| China | 400 mil | |
| Índia | 250 mil | |
| Rússia | 100 mil | |
| Coréia do Sul | 80 mil | |
| Brasil | 32 mil |
Mas a que se deve tamanho desinteresse e o que justificaria uma evasão que chega a ultrapassar 80%? As causas são diversas, mas destaco duas: a ilusão que está por trás da busca pelas carreiras de Estado e a falta de base matemática na escola regular, reflexo do investimento anual em educação por estudante, que é aproximadamente quatro a cinco vezes menor do que a média dos países da OCDE para a educação básica e 20% maior na educação superior.
Sobre a ilusão das carreiras de Estado, temos aí uma perversidade: motivados pela estabilidade do emprego e pelos salários absurdamente elevados, os jovens são pressionados pelas suas famílias a buscarem cursos que favoreçam a participação em concursos públicos (sobretudo Direito, com 1.240 cursos no Brasil e 1.100 no resto do mundo, conforme pode ser visto em http://migre.me/5MAvT). Resultado: 1 em cada 1.000 vai concretizar esse sonho, enquanto os 999 restantes vão engrossar a massa de subempregados frustrados. E onde está a perversidade? Exatamente no desperdício de tantos jovens talentosos, essenciais nas engenharias e com grande potencial para o empreendedorismo, que são vistos ocupando as monótonas carreiras de Estado.
A realidade do ensino médio profissionalizante é ainda pior: a falta de investimentos públicos nas últimas décadas levou o Brasil a uma situação negativamente singular. Enquanto nos países ditos desenvolvidos tem-se 1 profissional de nível superior para cada 5 de nível médio, em nosso país são 2 de nível superior para cada 1 de nível médio. Felizmente os governos Lula e Dilma vêm buscando corrigir esta distorção com a construção de 214 novas escolas técnicas federais que já começam a se somar às 140 unidades construídas entre 1909 e 2002.
Esse cenário se agrava a cada ano e contribui para elevar as (já não poucas) dificuldades para cumprir os cronogramas dos dois megaeventos esportivos (Copa 2014 e Jogos Olímpicos 2016).Leituras complementares:
A inversão de valores e a importância da engenharia - Milton Golombeck - http://migre.me/5PtpJ
domingo, 25 de setembro de 2011
Um pouco dos encantos do Chile
O Chile é um país admirável e em vários
aspectos se diferencia, para melhor, dos demais da América do Sul. Dentro do
contexto da América Latina, é o melhor em termos de desenvolvimento humano,
competitividade, qualidade de vida, estabilidade política, globalização, liberdade
econômica, baixa percepção de corrupção e índices comparativamente
baixos de pobreza. Também é elevado o nível regional
de liberdade de imprensa e de desenvolvimento democrático. Sua
posição como país mais rico da região (empatado com o México), em termos
de produto interno bruto per capita (a preço de mercado e paridade
do poder de compra), no entanto, é contrariada devido ao seu alto nível
de desigualdade de renda, medido pelo coeficiente de Gini. Em
maio de 2010 o Chile se tornou o
primeiro país sul-americano a aderir ao restrito clube da OCDE (Organização
para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).
Sua bela capital, Santiago, com população superior a 6 milhões de habitantes, é
uma das cidades mais modernas da América do Sul. Entre seus atrativos estão
inúmeros parques, museus, igrejas e uma intensa vida noturna. Via www.booking.com nos hospedamos no excelente Radisson Plaza Santiago Hotel, com
diária de pouco mais de US$ 120, localizado num moderno distrito de negócios em
Las Condes.
Chegamos no começo da tarde de uma quinta-feira
e decidimos almoçar nas redondezas do hotel, na Churrasqueria Bariloche, casa
de carnes com mesas na calçada e chopp gelado, que
serviu um delicioso bife de chorizo. Depois de um necessário descanso no hotel,
fomos jantar no Borde Rio (www.borderio.cl), centro gastronômico formado por 11
restaurantes das mais diversas especialidades. Escolhemos o estiloso Delmónico, de cozinha americana contemporânea, com decoração
inspirada em New Orleans, onde saboreamos uma deliciosa pasta acompanhada do
nacional Montes Alpha Shiraz. Foi aí que conhecemos o pisco sour, um drinque
preparado à base de pisco (aguardente peruana feita de uva) e suco de limão com
outros ingredientes. A máxima “aprecie com moderação” nos pareceu
extremamente adequado para a bebida.
Centro de Santiago: o velho e o novo
A poucos metros do hotel existe uma estação do
metrô, que utilizamos no segundo dia, dedicado a caminhadas pela cidade.
Descemos nas imediações de Cerro San Cristobal, parte do enorme Parque
Nacional, que possui Jardim Zoológico e Jardim Botânico. Para chegar ao topo da
montanha toma-se o funicular (veículo que sobe a montanha preso em cabos sobre
um plano inclinado) e chega-se à
estátua da Virgem Imaculada Conceição, de 22m. A visão de 360° da
cidade é belíssima, local ideal para muitas fotos.
Nas proximidades da entrada do parque está um
dos endereços mais procurados pelos turistas que visitam a cidade: La Chascona,
a casa onde morou Pablo Neruda, ganhador do Prêmio Nobel e mais famoso poeta
chileno. Fizemos o tour guiado pela charmosa casa, hoje um museu, para conhecer
melhor esse adorável poeta, símbolo da esquerda latinoamericana, e perceber seu
fascínio pelo mar que inspirou a arquitetura dos ambientes, como se fossem
espaços internos de um barco. Visitar La Chascona permite também entrar no universo
da relação de Neruda com Matilde, sua terceira mulher, para quem o poeta
construiu a casa. Além disso, tem um gostinho especial as referências a Oscar
Niemeyer, Vinícius de Moraes e Jorge Amado, amigos brasileiros de Pablo Neruda.
Um dos espaços de La Chascona, casa de Neruda em Santiago
A pé, seguimos pela Calle Constitución, em
Bellavista, bairro conhecido como boêmio e cultural e famoso pelos muitos bares e restaurantes. Paramos na
Sangucheria Ciudad Viega (www.ciudadvieja.cl), que
oferece dezenas de marcas de cervejas, onde provamos algumas das fabricadas no
país. De lá caminhamos até o Mercado Central (o tempo esquentou e teria sido melhor
ter tomado o metrô), famoso pelos vários restaurantes que oferecem frutos do
mar. O inconveniente é o assédio de garçons desde as imediações do Mercado,
prática sempre desagradável e irritante. Comemos o peixe mais famoso da região,
o congrio, feito sem muito capricho.
Em seguida caminhamos pelo centro da cidade,
com paradas na catedral e no Palácio de La Moneda, sede do governo. À noite
optamos por uma área famosa por badalados bares, a Orrego Luco de onde seguimos
para jantar no California Cantina & Restaurante (www.californiacantina.net), que fica nas imediações da Calle Providencia. O vinho
escolhido foi o Santa Ema reserva, que nos surpreendeu e voltamos a tomar em
outras ocasiões, inclusive no Brasil.
Para o restante do roteiro - visita a vinícola,
a Viña del Mar e Valparaiso - optamos por alugar um carro, mas não foi fácil
encontrar assim, de última hora. Depois de várias tentativas, finalmente a
Alamos tinha um sedan compacto com GPS a preço razoável. Fomos, então, visitar
a vinícola Concha y Toro (www.conchaytoro.com), que fica nos arredores da cidade. Depois de alguns
transtornos com o GPS, finalmente chegamos à vinícola e fizemos o tour Marquês
de Casa Concha, que inclui degustação de 4 tipos desse que é um dos melhores
vinhos da casa.
No fim da tarde fomos ao Parque Arauco, belo
shopping center com uma praça aberta, em torno da qual existem vários
restaurantes. Escolhemos a varanda de um deles para aproveitar e apreciar a lua
cheia, enquanto artistas locais tocavam bons hits no palco instalado no centro
da agitada praça.
O domingo, penúltimo dia da viagem, foi
dedicado a Valparaiso e Viña del Mar, viagem agradável de 120 Km. Valparaíso
faz por merecer o título de patrimônio da humanidade. Para fugir dos
ataques piratas, comuns no século 16, os moradores construíram as casas em
morros, de onde se avista o mar como se fossem cartões postais. A cidade também
tem uma outra casa de Pablo Neruda, visita obrigatória. Em 1959, o poeta
chileno procurava por um lugar onde viver e escrever com tranquilidade. Neruda
encontrou La Sebastiana, batizada assim
em homenagem a seu construtor, Sebastian Collado. São
cinco pavimentos, pequenos, mas sempre originais, igualmente inspirados em um
barco, em cujos diversos ambientes estão dispostos móveis e objetos que o poeta
e diplomata trazia das mais diversas partes do mundo.
Valparaiso, vista de La Sebastiana
A poucos quilômetros de Valparaiso, está Viña
del Mar, balneário mais sofisticado, cheio de prédios a beira mar, lojas, bares
e restaurantes. Depois de cumprir o ritual de molhar os pés nas águas do
Pacífico - ainda mais geladas porque o dia estava frio -, paramos num
restaurante mexicano e fomos para o elegante Chez Gerald (www.chezgerald.com), com vista maravilhosa
para a praia.
Foram quatro dias desbravando um pouquinho da
diversidade chilena, marcante tanto do ponto de vista climático, quanto humano.
Impressiona perceber como os chilenos conseguiram vencer as adversidades
geográficas, o relevo acidentado, a instabilidade sísmica e o clima,
tornando-se um país que é referência para os vizinhos da América Latina. E para
aqueles que querem experimentar a neve, nas proximidades de Santiago está a
famosa estação de ski do Valle Nevado, excelente opção para uma viagem de
inverno. Enfim, um destino que vale muito conhecer.
Jorge Santana
& Eloisa Galdino, em março de 2011
domingo, 21 de agosto de 2011
Consumo de bebidas alcoólicas: diferenças entre EUA e Brasil
O consumo excessivo de bebidas alcoólicas, e suas graves consequências, é tema recorrente que tem fomentado polêmicas mundo afora. Há muito tem me chamado a atenção o rigor da legislação federal dos EUA que trata da matéria e que proibe, dentre outras coisas: o consumo de qualquer bebida alcoólica por menores de 21 anos; o consumo em logradouros públicos; e o funcionamento de bares após 2h da madrugada.
É notável como a sociedade norte-americana trata com naturalidade essas restrições. Nos bares e pubs, normalmente após 21h, é comum os jovens serem obrigados a apresentar documento de identidade na entrada para comprovar idade superior a 21 anos, mesmo que tenha mais de 18 e que não vá consumir bebida alcoólica. As baladas costumam começar cedo, atingindo o auge entre 23h e 1h, sendo absolutamente normal policiais fardados circularem tranquilamente inspecionando o ambiente. Quando chega 1h30, as luzes acendem, a música para e, pontualmente às 2h, o estabelecimento é fechado e as pessoas costumam ir para suas casas. Perambular pela rua? Não convém porque certamente a polícia vai abordar.
Maior rigor ainda é aplicado aos raros que teimam em beber e dirigir, considerada uma das mais graves infrações do trânsito. Se houver um acidente e for detectado que o motorista ingeriu álcool além dos limites estabelecidos em leis estaduais, as penalidades costumam ser severas.
Conversei com cidadãos de lá e para eles tudo isso é natural e correto. Chegando aqui, troquei idéias com um amigo norte-americano que reside em Aracaju e, consequentemente, conhece a liberalidade da legislação brasileira. Ele foi taxativo: atualmente o rigor da legislação americana já é dispensável porque a sociedade já incorporou e apóia incondicionalmente as limitações. Segundo ele, se um grupo de jovens sai para a noite e um deles insiste em dirigir após beber, os demais tentam impedir e, se não conseguirem, jamais aceitam a carona.
Opinando sobre o Brasil, ele acredita que o rigor adotado nos EUA caberia muito bem aqui, onde festas começam muito tarde da noite e varam a madrugada (idem quanto aos bares), com o consumo exagerado de bebidas, sobretudo por jovens com menos de 21 anos, contribuindo para elevar a níveis assustadores as estatísticas de acidentes graves, muitos deles fatais.
A conclusão a que chego é que temos muito a aprender com outros países do mundo (vários deles, além dos EUA, também possuem legislações muito restritivas quanto ao consumo de álcool), inclusive nesse particular, onde a excessiva tolerância e permissividade têm imposto um custo muito elevado para a sociedade.
É notável como a sociedade norte-americana trata com naturalidade essas restrições. Nos bares e pubs, normalmente após 21h, é comum os jovens serem obrigados a apresentar documento de identidade na entrada para comprovar idade superior a 21 anos, mesmo que tenha mais de 18 e que não vá consumir bebida alcoólica. As baladas costumam começar cedo, atingindo o auge entre 23h e 1h, sendo absolutamente normal policiais fardados circularem tranquilamente inspecionando o ambiente. Quando chega 1h30, as luzes acendem, a música para e, pontualmente às 2h, o estabelecimento é fechado e as pessoas costumam ir para suas casas. Perambular pela rua? Não convém porque certamente a polícia vai abordar.
Maior rigor ainda é aplicado aos raros que teimam em beber e dirigir, considerada uma das mais graves infrações do trânsito. Se houver um acidente e for detectado que o motorista ingeriu álcool além dos limites estabelecidos em leis estaduais, as penalidades costumam ser severas.
Conversei com cidadãos de lá e para eles tudo isso é natural e correto. Chegando aqui, troquei idéias com um amigo norte-americano que reside em Aracaju e, consequentemente, conhece a liberalidade da legislação brasileira. Ele foi taxativo: atualmente o rigor da legislação americana já é dispensável porque a sociedade já incorporou e apóia incondicionalmente as limitações. Segundo ele, se um grupo de jovens sai para a noite e um deles insiste em dirigir após beber, os demais tentam impedir e, se não conseguirem, jamais aceitam a carona.
Opinando sobre o Brasil, ele acredita que o rigor adotado nos EUA caberia muito bem aqui, onde festas começam muito tarde da noite e varam a madrugada (idem quanto aos bares), com o consumo exagerado de bebidas, sobretudo por jovens com menos de 21 anos, contribuindo para elevar a níveis assustadores as estatísticas de acidentes graves, muitos deles fatais.
A conclusão a que chego é que temos muito a aprender com outros países do mundo (vários deles, além dos EUA, também possuem legislações muito restritivas quanto ao consumo de álcool), inclusive nesse particular, onde a excessiva tolerância e permissividade têm imposto um custo muito elevado para a sociedade.
sábado, 30 de julho de 2011
Software livre: uma opção de negócio
Numa fria manhã da primavera de 1996, no anfiteatro do campus de Santa Cruz da Universidade da Califórnia, assisti atento à disputada palestra de Scott Mc-Nealy, à época CEO da Sun Microsystems, empresa que criou a tecnologia Java, quando ele insistia em afirmar: "o computador é a rede". Saí dali convicto de que era a hora de aprumar o leme da Infox em direção a Java, mas também preocupado com o futuro da SCO, empresa parceira que organizava aquele fórum e responsável pela distribuição SCO Unix.
Poucos anos depois, o crescimento do Linux enfraqueceu a SCO e passamos a adotar aquele sistema operacional de código aberto em nossos projetos, adaptando-nos à perda da confortável receita originária das vendas das licenças do SCO Unix, parcialmente recomposta pela prestação de serviços de suporte, treinamento e mentoring para Linux e Java.
O mesmo se deu com o banco de dados que adotamos durante anos, aos poucos substituído por MySQL e PostgreSQL, ambos free softwares. Fizemos, portanto, opção deliberada por usar e convencer nossos clientes - públicos e privados -, a adotarem software livre, proporcionando economia e adicionando ganhos de qualidade, desempenho e confiabilidade. Tal economia tem permitido que o cliente invista mais e melhor em desenvolvimento de sistemas e serviços de suporte, ou seja, no núcleo do nosso negócio.
Foi por essas razões que compreendemos, assimilamos e nos incorporamos facilmente às políticas públicas dos governos Federal e estaduais, que estabeleceram a preferência pelo software livre nas contratações de produtos e serviços de Tecnologia da Informação (TI). Ao longo dos últimos 15 anos, temos colecionado projetos desafiadores e vitoriosos, todos eles adotando software livre, quebrando mitos e preconceitos e proporcionando enormes economias para os clientes.
Dentre tantas, merece destaque a experiência de construção do Creta - Sistema de Processo Digital para Juizados Especiais Federais, contratado pelo TRF 5a Região, baseado em Recife, premiado nacionalmente e reconhecido como a mais efetiva solução de processo eletrônico para o judiciário brasileiro. A base de dados do Creta na Seção Judiciária do Recife armazena hoje o conteúdo de 325 mil processos, ocupando 1,1 Tb e suportando até 800 sessões simultâneas de usuários acessando a aplicação. Qual o custo para o cliente na aquisição dos produtos envolvidos (Linux, Java, JBoss e PostgreSQL)? A resposta é zero. Se, contudo, a opção fosse por softwares proprietários, ultrapassaria a cifra de R$ 10 milhões!
A partir da experiência do Creta, com o apoio do TRF 5a Região, ousamos construir um sistema mais abrangente, capaz de atender toda a demanda do judiciário, tornando eletrônicos - ou virtuais, ou digitais -, todos os processos, independentemente de classe e de instância. E assim nasceu, em menos de dois anos, o PJe - Processo Judicial Eletrônico, padronizado nacionalmente pelo CNJ e em adoção por tribunais federais e estaduais.
Alguns dirão que zerar o custo de aquisição não significa eliminar o custo total de propriedade (TCO), e é verdade. Em torno do software livre existe um crescente número de empresas provedoras de serviços - a exemplo da RedHat -, que vendem treinamentos, mentoring e subscrições anuais que garantem suporte técnico nos mais diferentes níveis. Dificilmente, contudo, o TCO de um software livre será superior ao do equivalente software proprietário.
O relato dessa experiência concreta não tem a intenção de alimentar o ultrapassado debate ideológico e maniqueísta que se estabeleceu em torno da adoção do software livre, mas chamar a atenção para uma oportunidade que se abre onde muitos ainda vêem uma ameaça e, adicionalmente, alertar para o inexorável crescimento da adoção do software livre como opção consciente de empresas e usuários de TI, sobretudo diante dos muitas vezes abusivos preços das licenças dos softwares proprietários.
(artigo publicado na edição 36, em julho de 2011, da revista Tecnologia da Informação: http://www.mflip.com.br/pub/assespro/?numero=36)
sábado, 2 de julho de 2011
Copa e Olimpíada: quem vai pagar a conta?
Exercitando minimamente a autocrítica, havemos de reconhecer que em nosso querido Brasil continuam fortemente sedimentados "princípios" que norteiam alguns agentes públicos e privados e que produzem inestancáveis sangrias dos cofres públicos.
Eis a razão de tantos, como eu, injustamente taxados de pessimistas, preocuparem-se com a realização dos dois maiores eventos esportivos do planeta por essas bandas: a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. Ao primeiro, adicione-se um fato recente: quem o capitaneia, a famosa FIFA, teve seus dirigentes envolvidos em esquemas de deslavada corrupção, e sobre a CBF, dispensam-se comentários.
Como somos um povo desmemoriado, a farra dos recentes Jogos Panamericanos do Rio de Janeiro (PAN-2007), cujo orçamento saltou de R$ 400 milhões para R$ 3,4 bilhões, com fartos indícios de superfaturamento, deveriam servir como um grande sinal de alerta. Consideremos, pois, que o orçamento oficial das Olimpíadas de 2016 é de R$ 38,7 bi e da Copa de 2014 R$ 40 bi (a anterior, na África do Sul, custou R$ 15 bi). Se a "margem de erro" for a mesma do PAN-2007, estamos literalmente ... deixe prá lá.
É bem verdade que esses eventos, em alguma medida, vão antecipar investimentos em infraestrutura, sobretudo urbana, que podem se traduzir em ganhos permanentes para os cidadãos, além de poder alavancar a indústria do turismo. Ocorre que, a partir da experiência do PAN-2007, estudos apontaram que esses investimentos pouco favoreceram justamente quem mais os demandam: as classes menos favorecidas (vide link abaixo para o artigo "O Jogo da Desigualdade").
E quanto aos propagados argumentos dos defensores desses megaeventos? Os estudos provam que, em alguns casos, e o mais emblemático é Barcelona, pode-se obter um grande saldo positivo mas, infelizmente, é a exceção. No final das contas, sobretudo em se tratando de países em desenvolvimento, a tendência é sobrar um gigantesco passivo a ser pago, como de costume, pela sociedade, como ocorreu com a Grécia. Esperemos que, ao menos no caso da Copa de 2014, antes de pagar essa conta o povo brasileiro curta o efêmero momento de alegria com a conquista do campeonato.
Como a "sorte está lançada" (ou seria o azar?), não nos resta sabotar ou torcer para que não dêem certo. Ao contrário, devemos exigir dos agentes envolvidos com a organização das duas competições o máximo de transparência, seriedade e espírito público, embora tendo que nos esforçar para conter o natural ceticismo.
Sobre o tema, recomendo essas leituras ilustrativas:
- O Jogo da Desigualdade - http://migre.me/5a2II
- Rio 2016, e agora? Oportunidades e Desafios - http://migre.me/59QXb
- Prioridades do Futebol - http://migre.me/59QXT
Atualização em 11/09/2011:
Nesta data, a Folha de São Paulo traz matéria intitulada "Custo da Copa corre o risco de explodir", da qual destaco os seguintes trechos:
O Portal da Transparência do governo, montado pela Controladoria-Geral da União, diz que a Copa custará R$ 23,4 bilhões. A Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base), que tem acordo de cooperação técnica com a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e o Ministério do Esporte, trabalha com outros números. Estima em R$ 112 bilhões o custo total do Mundial e em R$ 84,9 bilhões, se considerado o recorte feito pelo Portal da Transparência, com o cálculo incluindo só aeroportos, portos, segurança, arenas e mobilidade urbana.
De acordo com o procurador-chefe do Ministério Público Federal do Amazonas, Athayde Ribeiro Costa, atual coordenador do Grupo de Trabalho Copa do Mundo 2014:
"Há grande risco em financiar obras com projetos falhos e sem detalhamentos. Isso porque o valor da obra será feito em estimativas aleatórias e futuramente serão demandados aditivos acima dos limites legais", diz Costa. Segundo ele, o temor de que a desorganização conduza a uma situação de descontrole está se confirmando. Com esse quadro, "aumentam riscos de sobrepreço, de paralisação de obras, de obras inacabadas e de corrupção".
No Amazonas, o MPF determinou à Caixa e ao BNDES a suspensão do repasses de recursos por falta de projetos para a construção do monotrilho e da arena Amazônia, em Manaus.
Os dois projetos devem consumir quase R$ 900 milhões e, segundo o MPF, não têm projetos executivos, o que eleva o risco de sobrepreço. Ainda de acordo com o MPF, são obras com custos atuais que não podem ser considerados definitivos.
Eis a razão de tantos, como eu, injustamente taxados de pessimistas, preocuparem-se com a realização dos dois maiores eventos esportivos do planeta por essas bandas: a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. Ao primeiro, adicione-se um fato recente: quem o capitaneia, a famosa FIFA, teve seus dirigentes envolvidos em esquemas de deslavada corrupção, e sobre a CBF, dispensam-se comentários.
Como somos um povo desmemoriado, a farra dos recentes Jogos Panamericanos do Rio de Janeiro (PAN-2007), cujo orçamento saltou de R$ 400 milhões para R$ 3,4 bilhões, com fartos indícios de superfaturamento, deveriam servir como um grande sinal de alerta. Consideremos, pois, que o orçamento oficial das Olimpíadas de 2016 é de R$ 38,7 bi e da Copa de 2014 R$ 40 bi (a anterior, na África do Sul, custou R$ 15 bi). Se a "margem de erro" for a mesma do PAN-2007, estamos literalmente ... deixe prá lá.
É bem verdade que esses eventos, em alguma medida, vão antecipar investimentos em infraestrutura, sobretudo urbana, que podem se traduzir em ganhos permanentes para os cidadãos, além de poder alavancar a indústria do turismo. Ocorre que, a partir da experiência do PAN-2007, estudos apontaram que esses investimentos pouco favoreceram justamente quem mais os demandam: as classes menos favorecidas (vide link abaixo para o artigo "O Jogo da Desigualdade").
E quanto aos propagados argumentos dos defensores desses megaeventos? Os estudos provam que, em alguns casos, e o mais emblemático é Barcelona, pode-se obter um grande saldo positivo mas, infelizmente, é a exceção. No final das contas, sobretudo em se tratando de países em desenvolvimento, a tendência é sobrar um gigantesco passivo a ser pago, como de costume, pela sociedade, como ocorreu com a Grécia. Esperemos que, ao menos no caso da Copa de 2014, antes de pagar essa conta o povo brasileiro curta o efêmero momento de alegria com a conquista do campeonato.
Como a "sorte está lançada" (ou seria o azar?), não nos resta sabotar ou torcer para que não dêem certo. Ao contrário, devemos exigir dos agentes envolvidos com a organização das duas competições o máximo de transparência, seriedade e espírito público, embora tendo que nos esforçar para conter o natural ceticismo.
Sobre o tema, recomendo essas leituras ilustrativas:
- O Jogo da Desigualdade - http://migre.me/5a2II
- Rio 2016, e agora? Oportunidades e Desafios - http://migre.me/59QXb
- Prioridades do Futebol - http://migre.me/59QXT
Atualização em 11/09/2011:
Nesta data, a Folha de São Paulo traz matéria intitulada "Custo da Copa corre o risco de explodir", da qual destaco os seguintes trechos:
O Portal da Transparência do governo, montado pela Controladoria-Geral da União, diz que a Copa custará R$ 23,4 bilhões. A Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base), que tem acordo de cooperação técnica com a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e o Ministério do Esporte, trabalha com outros números. Estima em R$ 112 bilhões o custo total do Mundial e em R$ 84,9 bilhões, se considerado o recorte feito pelo Portal da Transparência, com o cálculo incluindo só aeroportos, portos, segurança, arenas e mobilidade urbana.
De acordo com o procurador-chefe do Ministério Público Federal do Amazonas, Athayde Ribeiro Costa, atual coordenador do Grupo de Trabalho Copa do Mundo 2014:
"Há grande risco em financiar obras com projetos falhos e sem detalhamentos. Isso porque o valor da obra será feito em estimativas aleatórias e futuramente serão demandados aditivos acima dos limites legais", diz Costa. Segundo ele, o temor de que a desorganização conduza a uma situação de descontrole está se confirmando. Com esse quadro, "aumentam riscos de sobrepreço, de paralisação de obras, de obras inacabadas e de corrupção".
No Amazonas, o MPF determinou à Caixa e ao BNDES a suspensão do repasses de recursos por falta de projetos para a construção do monotrilho e da arena Amazônia, em Manaus.
Os dois projetos devem consumir quase R$ 900 milhões e, segundo o MPF, não têm projetos executivos, o que eleva o risco de sobrepreço. Ainda de acordo com o MPF, são obras com custos atuais que não podem ser considerados definitivos.
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