sábado, 16 de junho de 2012

Junte-se aos seus pares


Jornal da Cidade
Revista da Cidade
#Business
03/06/2012

O advento dos 140 anos da Associação Comercial e Empresarial de Sergipe (ACESE), da qual tive a honra de ser presidente no biênio 2005/2006, inspirou-me a tratar de um tema muito importante para empreendedores e empresas: o associativismo. Afinal de contas, vale mesmo a pena dedicar tempo a entidades de classe, mesmo que seja apenas participando dos seus eventos?
A resposta, indiscutivelmente, é sim, embora a agenda cotidiana de quem toca seu próprio negócio seja de tal forma preenchida por assuntos urgentes, que parece não sobrar tempo para tantos outros compromissos importantes (em uma das próximas edições dessa coluna tratarei de gerenciamento de tempo e a sutil diferença entre o urgente e o importante). O fato é que ao associar-se e frequentar sua entidade de classe você vai descobrir o quanto terá para aprender, ajudar e ser ajudado, convivendo fraternalmente com seus pares. O primeiro e mais importante dos muitos aprendizados é que competição e cooperação são duas faces de uma mesma moeda, ou seja, concorrentes podem e devem buscar formas de crescerem juntos.
A segunda questão é a seguinte: em meio a tanta entidades, uma verdadeira profusão de siglas, em qual devo me associar? A recomendação que faço é filiar-se à associação que representa o seu setor (ASSESPRO para TI, ABAV para agências de viagens, ABIH para hotéis etc) e a uma outra de representação geral e, nesse caso, vejo nas Associações Comerciais as mais abrangentes e representativas. As associações em geral costumam ser organizações de direito privado e sem fins lucrativos, com estatutos próprios e a missão de representar e defender os interesses legítimos dos seus associados. Atente para a importância da prática de critérios democráticos nas escolhas dos seus dirigentes e afaste-se daquelas que não costumam praticar o saudável hábito da alternância que evita o surgimento de "donos" e possibilita a salutar oxigenação que decorre da chegada de novos líderes (não faz sentido um mesmo dirigentes permanecer por mais de quatro anos à frente da entidade).
Além das associações, no Brasil ainda existe o anacrônico sistema confederativo sindical, cria do Estado Novo de Vargas, forte e rico, mas pouco representativo e quase sempre avesso à prática da alternância de poder. São os sindicatos patronais que formam as federações estaduais (do comércio, da indústria e da agricultura), que por sua vez constituem as famosas e poderosas Confederações Nacionais. Não é raro encontrar dirigentes nesse sistema que estão há décadas no poder, como é igualmente incomum encontrar nas suas pautas ações eficazes em prol de quem deveriam representar, exceto a recorrente negociação anual de acordos coletivos com os trabalhadores. Paradoxalmente, esse sistema se beneficia de contribuição financeira compulsória que todas as empresas são obrigadas a recolher anualmente, verdadeiras fortunas que têm sido utilizadas para construir patrimônios imobiliários que nada acrescentam aos potenciais beneficiários, as empresas. Por todas essas razões, muitos já questionam o modelo e propõem a extinção pura e simples da contribuição compulsória, cabendo-lhes buscar os meios para se auto-sustentarem.
Entidades de classe legítimas devem ser atuantes na defesa intransigente dos interesses dos representados e são muitos os bons exemplos de bandeiras que muitas defenderam e defendem, como a conquista da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas,  o combate intransigente em favor da redução da carga tributária e dezenas de outros temas setoriais e locais.
A lição da semana é simples: participe de entidades de classe, considere a possibilidade de se tornar um de seus dirigentes (a alternância exige que muitos se tornem líderes) e você verá o quanto isso vai ajudar o seu próprio negócio.


Para refletir: É preciso ser justo, antes de ser generoso. (Winston Churchill).

Para ler: Liderança, Dale Carnegie Tranining

Para visitar: www.acese.org.br

Twitter: @jsantana61





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