Jornal da Cidade
Revista da Cidade
#Business
03/06/2012
O advento dos 140 anos da Associação Comercial e
Empresarial de Sergipe (ACESE), da qual tive a honra de ser presidente no
biênio 2005/2006, inspirou-me a tratar de um tema muito importante para
empreendedores e empresas: o associativismo. Afinal de contas, vale mesmo a
pena dedicar tempo a entidades de classe, mesmo que seja apenas participando
dos seus eventos?
A resposta,
indiscutivelmente, é sim, embora a agenda cotidiana de quem toca seu próprio
negócio seja de tal forma preenchida por assuntos urgentes, que parece não
sobrar tempo para tantos outros compromissos importantes (em uma das próximas
edições dessa coluna tratarei de gerenciamento de tempo e a sutil diferença
entre o urgente e o importante). O fato é que ao associar-se e frequentar sua
entidade de classe você vai descobrir o quanto terá para aprender, ajudar e ser
ajudado, convivendo fraternalmente com seus pares. O primeiro e mais importante
dos muitos aprendizados é que competição e cooperação são duas faces de uma
mesma moeda, ou seja, concorrentes podem e devem buscar formas de crescerem
juntos.
A segunda
questão é a seguinte: em meio a tanta entidades, uma verdadeira profusão de
siglas, em qual devo me associar? A recomendação que faço é filiar-se à
associação que representa o seu setor (ASSESPRO para TI, ABAV para agências de
viagens, ABIH para hotéis etc) e a uma outra de representação geral e, nesse
caso, vejo nas Associações Comerciais as mais abrangentes e representativas. As
associações em geral costumam ser organizações de direito privado e sem fins
lucrativos, com estatutos próprios e a missão de representar e defender os
interesses legítimos dos seus associados. Atente para a importância da prática
de critérios democráticos nas escolhas dos seus dirigentes e afaste-se daquelas
que não costumam praticar o saudável hábito da alternância que evita o
surgimento de "donos" e possibilita a salutar oxigenação que decorre da
chegada de novos líderes (não faz sentido um mesmo dirigentes permanecer por
mais de quatro anos à frente da entidade).
Além das
associações, no Brasil ainda existe o anacrônico sistema confederativo
sindical, cria do Estado Novo de Vargas, forte e rico, mas pouco representativo
e quase sempre avesso à prática da alternância de poder. São os sindicatos
patronais que formam as federações estaduais (do comércio, da indústria e da
agricultura), que por sua vez constituem as famosas e poderosas Confederações
Nacionais. Não é raro encontrar dirigentes nesse sistema que estão há décadas
no poder, como é igualmente incomum encontrar nas suas pautas ações eficazes em
prol de quem deveriam representar, exceto a recorrente negociação anual de
acordos coletivos com os trabalhadores. Paradoxalmente, esse sistema se
beneficia de contribuição financeira compulsória que todas as empresas são
obrigadas a recolher anualmente, verdadeiras fortunas que têm sido utilizadas
para construir patrimônios imobiliários que nada acrescentam aos potenciais
beneficiários, as empresas. Por todas essas razões, muitos já questionam o
modelo e propõem a extinção pura e simples da contribuição compulsória,
cabendo-lhes buscar os meios para se auto-sustentarem.
Entidades de
classe legítimas devem ser atuantes na defesa intransigente dos interesses dos
representados e são muitos os bons exemplos de bandeiras que muitas defenderam
e defendem, como a conquista da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, o combate intransigente em favor da
redução da carga tributária e dezenas de outros temas setoriais e locais.
A lição da
semana é simples: participe de entidades de classe, considere a possibilidade
de se tornar um de seus dirigentes (a alternância exige que muitos se tornem
líderes) e você verá o quanto isso vai ajudar o seu próprio negócio.
Para refletir: É preciso ser justo, antes de ser generoso. (Winston
Churchill).
Para ler: Liderança,
Dale Carnegie Tranining
Para visitar: www.acese.org.br
Twitter: @jsantana61
Nenhum comentário:
Postar um comentário