Jornal da Cidade
Revista da Cidade
#Business
04/11/2012
Existe uma sutil diferença entre
estar ocupado e estar produzindo e isso vale para todo mundo. Em uma
organização, salvo naquelas em que o déficit gerencial é tão grande que permite
a ociosidade (praga que se assemelha a uma torneira vasando e jogando água
fora), todos costumam estar sempre ocupados, mas isso não é bastante. Se a
ocupação de cada um não puder ser medida em contribuição para a receita a ser
faturada, em geral estamos diante de uma forma dissimulada de ociosidade. Isso
se torna ainda mais grave quando se trata das equipes responsáveis diretamente
pela produção de receita.
O gestor ou o empreendedor devem
estar atentos a essa fonte de custo, procurando sempre avaliar se o que cada
colaborador está fazendo pode ser classificado como atividade produtiva. Uma
boa forma de fazer essa avaliação é fazendo essa pergunta: o que ocorreria se
essa atividade deixasse de ser feita? Se houver dúvida para respondê-la, muito
provavelmente estamos diante de uma atividade dispensável ou, no mínimo, que
pode ser combinada com outra ou diluída entre vários membros da equipe.
Mas a preocupação não deve ser
apenas do gestor. O empregado deve tê-la de igual modo, analisando os
resultados produzidos pelas suas atividades e, se perceber que são poucos,
adicionando outras que tragam mais resultados mensuráveis para a organização.
Se assim não fizer, mais cedo ou mais tarde irá se deparar com um aviso prévio
de rescisão de contrato de trabalho.
É claro que existem atividades de
apoio, intermediárias ou administrativas, que são indispensáveis e não
contribuem diretamente para a produção de receita, mas é preciso cuidar para
que sejam limitadas e de baixo impacto no custo total da organização.
A dificuldade é separar o joio do trigo. Em minha experiência
empresarial de quase 30 anos aprendi que há muitas atividades tidas como
importantes, mas que pouco acrescentam à geração de receita e, não raramente,
impõem custo elevado. Às vezes aparecem como camadas gerenciais desnecessárias,
outras vezes como atividades de controle que servem de moletas quando não se
tem um processo produtivo bem definido, e assim por diante. Conheço situações
surreais, em que equipes foram reduzidas em até 40% sem que tenha havido perda
na produção: a receita manteve-se a mesma, mas o custo foi expressivamente
reduzido.
Nessa mesma linha de raciocínio, é
sempre bom lembrar que vivemos uma era de versatilidade profissional, onde não
cabe mais formar um time de jogadores que só sabem jogar em posições fixas. O profissional que
pretender se diferenciar, e consequentemente ascender na hierarquia
organizacional, precisa aprender e praticar, desde cedo, o máximo de
polivalência possível, e pensar duas vezes antes de dizer "essa tarefa não
é minha".
Para refletir: Todo
homem é culpado do que não fez. Voltaire.
Para ler: O
verdadeiro poder, de Vicente Falconi.
Twitter: @jsantana61
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