domingo, 25 de novembro de 2012

A diferença entre estar ocupado e estar produzindo


Jornal da Cidade
Revista da Cidade
#Business
04/11/2012


Existe uma sutil diferença entre estar ocupado e estar produzindo e isso vale para todo mundo. Em uma organização, salvo naquelas em que o déficit gerencial é tão grande que permite a ociosidade (praga que se assemelha a uma torneira vasando e jogando água fora), todos costumam estar sempre ocupados, mas isso não é bastante. Se a ocupação de cada um não puder ser medida em contribuição para a receita a ser faturada, em geral estamos diante de uma forma dissimulada de ociosidade. Isso se torna ainda mais grave quando se trata das equipes responsáveis diretamente pela produção de receita.
O gestor ou o empreendedor devem estar atentos a essa fonte de custo, procurando sempre avaliar se o que cada colaborador está fazendo pode ser classificado como atividade produtiva. Uma boa forma de fazer essa avaliação é fazendo essa pergunta: o que ocorreria se essa atividade deixasse de ser feita? Se houver dúvida para respondê-la, muito provavelmente estamos diante de uma atividade dispensável ou, no mínimo, que pode ser combinada com outra ou diluída entre vários membros da equipe.
Mas a preocupação não deve ser apenas do gestor. O empregado deve tê-la de igual modo, analisando os resultados produzidos pelas suas atividades e, se perceber que são poucos, adicionando outras que tragam mais resultados mensuráveis para a organização. Se assim não fizer, mais cedo ou mais tarde irá se deparar com um aviso prévio de rescisão de contrato de trabalho.
É claro que existem atividades de apoio, intermediárias ou administrativas, que são indispensáveis e não contribuem diretamente para a produção de receita, mas é preciso cuidar para que sejam limitadas e de baixo impacto no custo total da organização.
 A dificuldade é separar o joio do trigo. Em minha experiência empresarial de quase 30 anos aprendi que há muitas atividades tidas como importantes, mas que pouco acrescentam à geração de receita e, não raramente, impõem custo elevado. Às vezes aparecem como camadas gerenciais desnecessárias, outras vezes como atividades de controle que servem de moletas quando não se tem um processo produtivo bem definido, e assim por diante. Conheço situações surreais, em que equipes foram reduzidas em até 40% sem que tenha havido perda na produção: a receita manteve-se a mesma, mas o custo foi expressivamente reduzido.
Nessa mesma linha de raciocínio, é sempre bom lembrar que vivemos uma era de versatilidade profissional, onde não cabe mais formar um time de jogadores  que só sabem jogar em posições fixas. O profissional que pretender se diferenciar, e consequentemente ascender na hierarquia organizacional, precisa aprender e praticar, desde cedo, o máximo de polivalência possível, e pensar duas vezes antes de dizer "essa tarefa não é minha".


Para refletir: Todo homem é culpado do que não fez. Voltaire.

Para ler: O verdadeiro poder, de Vicente Falconi.


Twitter: @jsantana61

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