Jornal da Cidade
Revista da Cidade
#Business
11/11/2012
Exercitando minimamente a
autocrítica, havemos de reconhecer que em nosso querido Brasil continuam
fortemente sedimentados "princípios" que norteiam alguns agentes
públicos e privados e que produzem inestancáveis sangrias dos cofres públicos.
Eis a razão de tantos, como eu,
injustamente taxados de pessimistas, preocuparem-se com a realização dos dois
maiores eventos esportivos do planeta - a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos
Olímpicos de 2016 - por essas bandas. Ao primeiro, adicione-se um fato recente:
quem o capitaneia, a famosa FIFA, teve seus dirigentes envolvidos em esquemas
de deslavada corrupção, e sobre a CBF, dispensam-se comentários.
Como somos um povo de rarefeita
memória, a farra dos Jogos Panamericanos do Rio de Janeiro (PAN-2007), cujo
orçamento saltou de R$ 400 milhões para R$ 3,4 bilhões, com fartos indícios de
superfaturamento, deveriam servir como um grande sinal de alerta. Consideremos,
pois, que o orçamento oficial das Olimpíadas de 2016 é de R$ 38,7 bi e da Copa
de 2014 R$ 40 bi (a anterior, na África do Sul, custou R$ 15 bi). Se a
"margem de erro" for a mesma do PAN-2007, estamos literalmente ...
deixe prá lá.
É bem verdade que esses eventos,
em alguma medida, vão antecipar investimentos em infraestrutura, sobretudo
urbana, que podem se traduzir em ganhos permanentes para os cidadãos, além de
poder alavancar a indústria do turismo. Ocorre que, a partir da experiência do
PAN-2007, estudos apontaram que esses investimentos pouco favoreceram justamente
quem mais os demandam: as classes menos favorecidas (vide link abaixo para o
artigo "O Jogo da Desigualdade").
E quanto aos propagados argumentos
dos defensores desses megaeventos? Os estudos provam que, em alguns casos, e o
mais emblemático é Barcelona, pode-se obter um grande saldo positivo mas,
infelizmente, é a exceção. No final das contas, sobretudo em se tratando de
países em desenvolvimento, a tendência é sobrar um gigantesco passivo a ser
pago, como de costume, pela sociedade, como ocorreu com a Grécia. Esperemos
que, ao menos no caso da Copa de 2014, antes de pagar essa conta o povo
brasileiro curta o efêmero momento de alegria com a conquista do campeonato.
Como a "sorte está
lançada" (ou seria o azar?), não nos resta torcer para que os eventos não
dêem certo. O que nos cabe é exigir dos agentes envolvidos com a organização
das duas competições o máximo de transparência, seriedade e espírito público, para
ao menos minimizar a conta que, com certeza, iremos pagar.
Para refletir: É melhor merecer as honras sem recebê-las do que recebê-las sem
merecer. - Mark Twain
Twitter: @jsantana61
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