domingo, 22 de julho de 2012

Estudar e aprender, sempre


Jornal da Cidade
Revista da Cidade
#Business
01/07/2012


            Foi-se o tempo em que para ser um empreendedor bem sucedido bastaria tino e vocação, ou seja, atributos natos que seriam suficientes para garantir o sucesso nos negócios. O mundo mudou, tornou-se mais complexo e passou a exigir dos homens e mulheres de negócios muito mais conhecimento para crescer e competir.
            A boa notícia é que para adquirir conhecimento ou para se reciclar continuamente existem muitas alternativas, a maior parte adaptável à dinâmica sempre intensa de quem dirige uma empresa, mesmo de pequeno porte. Para aqueles que concluíram curso superior, que também se tornou acessível, as pós-graduações voltadas para negócios, principalmente os famosos MBAs (do inglês Master in  Business Administration), estão presentes nas mais diversas instituições, alguns deles com chancelas respeitadas, como da Fundação Getúlio Vargas e da HSM. Os MBAs normalmente têm duração entre 1 e 2 anos e carga horária superior a 360 h, sendo muitas vezes oferecidos em horários alternativos (noites e finais de semana).
            Como se não bastassem os impactos que vem produzindo nas mais diversas áreas (comunicações, negócios, relacionamentos etc), a Internet também vem revolucionando a educação com a crescente oferta de cursos à distância, outra excelente opção para aqueles que buscam flexibilidade e conforto, muito embora exija um requisito indispensável: disciplina rigorosa para alocar tempo e cumprir com a obrigação de fazer as aulas normalmente sozinho.
            O participante de um curso on line utiliza seu computador para navegar pelas diferentes áreas do curso, como área de estudos, ferramenta de chat, calendário, biblioteca virtual e "sala de aula". Também acessa o conteúdo teórico e interage com o professor-tutor e com a equipe de suporte técnico. Os alunos participam de atividades individuais e em equipe, discussões abertas e fechadas em sala de aula, chats abertos e fechados, gincanas, auto-avaliações e jogos. A participação dos alunos no curso também costuma ser avaliada e faz parte de sua média final. Para um bom desempenho, recomenda-se que dediquem, no mínimo, cinco horas semanais, acessando o site e desenvolvendo suas atividades on line.  Toda turma tem um professor-tutor especialista na área do curso, que irá acompanhar as atividades, mediar as discussões e tirar as dúvidas dos alunos.
            Desde cursos com poucas horas de duração até MBAs completos, a oferta já é enorme e, dentre tantas instituições que oferecem esse tipo de curso, destaco a própria FGV (www5.fgv.br/fgvonline/CursosGratuitos.aspx e www5.fgv.br/fgvonline/Cursos30Horas.aspx) e o Sebrae (www.ead.sebrae.com.br).
            Uma iniciativa muito interessante é o Portal Veduca (www.veduca.com.br) que oferece mais de 4000 vídeo-aulas e de 200 cursos das mais importantes universidades do Brasil e do mundo, nas mais diversas áreas do conhecimento. Detalhe: gratuitamente.
            Não há, portanto, tempo a perder. Comece agora seu programa pessoal de educação continuada, presencial ou on line, e descubra que na Era do Conhecimento estudar (e aprender) é essencial.


Para refletir:  Somos continuamente confrontados com grandes oportunidades, brilhantemente disfarçadas de problemas insolúveis. (Lee Iacocca).

Para ler: Empreendedorismo: transformando ideias em negócios, de José Dornelas.

Para visitar: www.veduca.com.br

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domingo, 1 de julho de 2012

Administração do tempo


Jornal da Cidade
Revista da Cidade
#Business
24/06/2012

            Um dos maiores desafios de qualquer profissional, sobretudo daqueles que gerenciam um negócio, é administrar o tempo diante do turbilhão de atividades com as quais é obrigado a se envolver e dar conta. Isso tem se agravado - paradoxalmente - com os avanços tecnológicos que proporcionam conectividade plena em regime 24 x 7, tornando-nos recursos on line acessíveis a qualquer momento, ou seja, trabalhando muito mais do que se supunha há algumas poucas décadas.
            São inúmeras os estudiosos que nos apresentam as mais diversas técnicas de gerenciamento do tempo, quase sempre úteis e melhores do que não adotar método algum. Dentre tantos, destaca-se Stephen Covey, o guru americano autor do best-seller "Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes". Covey propõe classificar as atividades do dia a dia em urgentes e importantes e distribuí-las em quadrantes a partir do cruzamento de dois eixos: o da importância e o da urgência.
            A lógica dos quadrantes de Covey é simples e intuitiva, começando pela distinção entre importância e urgência. A partir daí, deve-se priorizar aquilo que é importante e urgente (crises, problemas inadiáveis, projetos com data marcada, reuniões), e em seguida o que é importante mesmo não sendo urgente (ações preventivas, criatividade, aprendizado, pesquisa, lazer). O que for urgente, embora não importante (interrupções, telefonemas, correspondências) vem em terceiro lugar e, obviamente, o que não é importante e nem urgente deve merecer menor atenção e alocação de tempo (detalhes, pequenas tarefas, perda de tempo, redes sociais).
            Ocorre que normalmente dedicamos quase 100% do nosso tempo às atividades urgentes - importantes ou não -, que tendem a se avolumar justamente porque algumas tarefas importantes, mas não urgentes, deixam de ser feitas (são elas que irão atacar problemas que minimizarão as urgentes).
            Covey faz uma analogia interessante quando ensina a distribuir as atividades no tempo: os compromissos importantes são como pedras grandes e os urgentes como pedras pequenas, e você precisa colocar todas em um mesmo recipiente (a sua agenda). Se colocar primeiro as pequenas, simplesmente não vai restar espaço para as grandes, que sobrarão todas; mas se fizer o contrário, irá conseguir acomodar ambas e a sobra será das menores.
            O mesmo autor também chama a atenção para um aspecto significativo: a identificação de todos os seus papéis enquanto indivíduo e a alocação de tempo, semanalmente, para cada um desses papéis (profissional, pai/mãe, marido/mulher, membro de associação/igreja/clube etc). Sem esse cuidado, invariavelmente dedicamos quase todo o tempo à agenda profissional e nos tornamos negligentes nos demais papéis que a vida nos reserva.
            Existem várias outras dicas e técnicas que ajudam muito a disciplinar a alocação do tempo, esse que pode ser um aliado ou um adversário, portanto vale a pena ler livros e artigos sobre o tema. A propósito, é sempre bom lembrar que o tempo é uma das mais democrática riquezas: todos recebemos exatamente a mesma quantidade, muitos desperdiçam e alguns poucos tiram o melhor proveito.


Para refletir: Plante um pensamento, colha uma ação; plante uma ação, colha um hábito; plante um hábito, colha um caráter; plante um caráter, colha um destino. (Stephen Covey).

Para ler: Está sem tempo?, artigo de Mauro Silveira, em http://migre.me/9xVv3


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Responsabilidade Social Empresarial


Jornal da Cidade
Revista da Cidade
#Business
17/06/2012


            Provavelmente o leitor já deve ter ouvido falar de responsabilidade social empresarial, cidadania empresarial, balanço social e coisas do gênero. Tudo isso representa uma prática recente e inovadora, que tem sensibilizado um número cada vez maior de empresários para o compromisso com ações efetivas, que possam ir além do objetivo legítimo da obtenção do lucro em seus negócios.
            A empresa socialmente responsável se compromete em participar da construção de um "outro mundo possível" e contribui para a criação de um modelo de desenvolvimento social e ambientalmente sustentável. A adoção de valores éticos – como honestidade, integridade, justiça, lealdade e solidariedade – é o alicerce sobre o qual irá se construir a empresa cidadã. A partir deste compromisso com a ética, a prática da responsabilidade social empresarial tem se dado através de inúmeras ações relacionadas a meio-ambiente, local de trabalho, comunidade, mercado e direitos humanos.
            O meio-ambiente dá espaço para muitas iniciativas cidadãs, como o estabelecimento de uma política ecológica de compras, a minimização de resíduos, a redução do consumo de papel, a utilização de produtos recicláveis e a doação de excedente de móveis e equipamentos. A prevenção da poluição tem destaque especial no dia-a-dia da empresa cidadã. Nesta mesma linha, o uso eficaz de energia e água, com a adoção de iluminação inteligente, a utilização de transporte alternativo e até o trabalho em casa, tornam-se hábitos saudáveis que costumam atrair o compromisso de todos os colaboradores da empresa.
            Diversas práticas de responsabilidade social estão relacionadas com o ambiente de trabalho. Uma das mais relevantes é a adoção da diversidade como um valor essencial da empresa, traduzido no compromisso de contratar pessoas com experiências e perspectivas diferentes, abolindo a discriminação de raça, sexo, idade, religião, ascendência, nacionalidade, estado civil, orientação sexual, deficiência física ou mental e condições de saúde. O combate ao assédio sexual, o encorajamento ao trabalho voluntário e a promoção do equilíbrio entre trabalho e família, são outros exemplos de práticas socialmente responsáveis e benéficas à corporação e aos seus colaboradores.
            O envolvimento com a comunidade é outra excelente arena para o exercício efetivo da responsabilidade social.  Investir em comunidade carente traz muitos resultados para a empresa, favorecendo o trabalho voluntário dos colaboradores. Já o compromisso com os direitos humanos é elemento-chave na responsabilidade social corporativa. Por exemplo, o tratamento justo dado aos trabalhadores, o combate ao trabalho infantil e ao trabalho forçado, a liberdade de associação e as condições de saúde e segurança do trabalhador, devem estar presentes na empresa e em seus parceiros.
            Muitas ONGs (Organizações Não-Governamentais) mundo afora estão dedicadas à difusão da responsabilidade social empresarial. No Brasil, o Instituto Ethos tem desenvolvido um belo trabalho e publicado documentos muito elucidativos sobre a matéria, que podem ser obtidos em seu site (www.ethos.org.br).


Para refletir: A natureza dos homens soberbos e vis é mostrar-se insolentes na prosperidade e abjetos e humildes na adversidade. (Maquiavel).

Para ler: Finanças para empreendedores e profissionais não financeiros (Gustavo Cerbasi e Rafael Paschoarelli, Editora Saraiva)

Para visitar: www.ethos.org.br

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sábado, 16 de junho de 2012

A grama e o boi


Jornal da Cidade
Revista da Cidade
#Business
10/06/2012

Há dois adágios que são muito bem aplicados na atividade empresarial: "a grama do vizinho é sempre mais verde" e "o boi engorda sob o olhar do dono". Minha pretensão nesse post é discorrer sobre o muito que tenho aprendido enquanto empreendedor há 26 anos, em relação às verdades e mitos por trás dessas máximas.
A expressão "a grama do vizinho é mais verde", invariavelmente vem seguida de algo como "ele é um sujeito que teve muita sorte". Eis aqui o primeiro mito: o que se costuma chamar de sorte (tenho minhas dúvidas se realmente ela existe) na verdade é uma combinação de trabalho, disposição, fé, autoconfiança, determinação e tantas outras qualidades que, infelizmente, não são abundantes na maioria das pessoas.
Aqui cabe destacar uma grande verdade: não existe negócio fácil. Por mais que assim pareça, todo negócio tem seus segredos e exige o máximo de presença e dedicação do seu dono. A prova de que isso é verdade está nos indicadores de mortalidade infantil das micro e pequenas empresas que, em sua imensa maioria, é motivada por deficiências do empreendedor, antes de serem causadas por outros fatores (crédito, mercado, carga tributária etc). Ilude-se quem acha que uma pequena loja, academia de ginástica ou escola de idiomas é um negócio fácil de tocar, bastando a grana inicial para o investimento e a formação de uma boa equipe, requerendo do dono apenas "uma passada" no fim do dia. Estar presente significa vivenciar o dia-a-dia dentro da empresa, mas também fora, prospectando clientes, participando de atividades de entidades de classe etc.
  Não estou querendo dizer que todos os negócios são semelhantes, sendo óbvio que existem alguns muito simples e outros bastante complexos, que exigem ainda mais atributos do empreendedor, mas nenhum pode ser chamado de "fácil".
E aí vem a história da engorda do boi sob o olhar do dono. Grande verdade. Pelas mais diversas razões, há coisas no cotidiano das organizações que só o dono consegue enxergar. É como se ele usasse algum tipo de lente especial (creio que essa lente pode ser chamada de capacidade empreendedora) e com ela visse aquilo que os melhores empregados e gestores não enxergam. É claro que o crescimento da empresa irá exigir descentralização via delegação, com a natural formação de um corpo gerencial e diretivo, mas nada disso irá substituir o olho do dono, ao menos nos negócios de pequeno e médio portes.
Quero crer que essas simplórias reflexões poderão proporcionar algum tipo de aconselhamento, a partir de uma experiência prática recheada de erros e acertos, àqueles que estão enveredando (ou pretendem) pela desafiadora jornada do empreendedorismo. O conselho é simples: para empreender é preciso ter coragem de correr risco, obsessão pelo trabalho, disposição para o sacrifício pessoal e não pretender esperar pela "sorte". E nunca esqueça: fique de olho no seu gado ;-)


Para refletir: Eis a natureza humana em ação, o culpado culpando todos menos a si mesmo. (Dale Carnegie).

Para ler: Metanóia, de Roberto Adami Tranjan

Para visitar: www.endeavor.org.br

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Junte-se aos seus pares


Jornal da Cidade
Revista da Cidade
#Business
03/06/2012

O advento dos 140 anos da Associação Comercial e Empresarial de Sergipe (ACESE), da qual tive a honra de ser presidente no biênio 2005/2006, inspirou-me a tratar de um tema muito importante para empreendedores e empresas: o associativismo. Afinal de contas, vale mesmo a pena dedicar tempo a entidades de classe, mesmo que seja apenas participando dos seus eventos?
A resposta, indiscutivelmente, é sim, embora a agenda cotidiana de quem toca seu próprio negócio seja de tal forma preenchida por assuntos urgentes, que parece não sobrar tempo para tantos outros compromissos importantes (em uma das próximas edições dessa coluna tratarei de gerenciamento de tempo e a sutil diferença entre o urgente e o importante). O fato é que ao associar-se e frequentar sua entidade de classe você vai descobrir o quanto terá para aprender, ajudar e ser ajudado, convivendo fraternalmente com seus pares. O primeiro e mais importante dos muitos aprendizados é que competição e cooperação são duas faces de uma mesma moeda, ou seja, concorrentes podem e devem buscar formas de crescerem juntos.
A segunda questão é a seguinte: em meio a tanta entidades, uma verdadeira profusão de siglas, em qual devo me associar? A recomendação que faço é filiar-se à associação que representa o seu setor (ASSESPRO para TI, ABAV para agências de viagens, ABIH para hotéis etc) e a uma outra de representação geral e, nesse caso, vejo nas Associações Comerciais as mais abrangentes e representativas. As associações em geral costumam ser organizações de direito privado e sem fins lucrativos, com estatutos próprios e a missão de representar e defender os interesses legítimos dos seus associados. Atente para a importância da prática de critérios democráticos nas escolhas dos seus dirigentes e afaste-se daquelas que não costumam praticar o saudável hábito da alternância que evita o surgimento de "donos" e possibilita a salutar oxigenação que decorre da chegada de novos líderes (não faz sentido um mesmo dirigentes permanecer por mais de quatro anos à frente da entidade).
Além das associações, no Brasil ainda existe o anacrônico sistema confederativo sindical, cria do Estado Novo de Vargas, forte e rico, mas pouco representativo e quase sempre avesso à prática da alternância de poder. São os sindicatos patronais que formam as federações estaduais (do comércio, da indústria e da agricultura), que por sua vez constituem as famosas e poderosas Confederações Nacionais. Não é raro encontrar dirigentes nesse sistema que estão há décadas no poder, como é igualmente incomum encontrar nas suas pautas ações eficazes em prol de quem deveriam representar, exceto a recorrente negociação anual de acordos coletivos com os trabalhadores. Paradoxalmente, esse sistema se beneficia de contribuição financeira compulsória que todas as empresas são obrigadas a recolher anualmente, verdadeiras fortunas que têm sido utilizadas para construir patrimônios imobiliários que nada acrescentam aos potenciais beneficiários, as empresas. Por todas essas razões, muitos já questionam o modelo e propõem a extinção pura e simples da contribuição compulsória, cabendo-lhes buscar os meios para se auto-sustentarem.
Entidades de classe legítimas devem ser atuantes na defesa intransigente dos interesses dos representados e são muitos os bons exemplos de bandeiras que muitas defenderam e defendem, como a conquista da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas,  o combate intransigente em favor da redução da carga tributária e dezenas de outros temas setoriais e locais.
A lição da semana é simples: participe de entidades de classe, considere a possibilidade de se tornar um de seus dirigentes (a alternância exige que muitos se tornem líderes) e você verá o quanto isso vai ajudar o seu próprio negócio.


Para refletir: É preciso ser justo, antes de ser generoso. (Winston Churchill).

Para ler: Liderança, Dale Carnegie Tranining

Para visitar: www.acese.org.br

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Começando do começo: o Plano de Negócio


Jornal da Cidade
Revista da Cidade
#Business
27/05/2012

Iniciamos hoje uma nova jornada e o grande desafio de produzir conteúdo semanal para esta coluna da Revista da Cidade, voltada para aqueles que militam (ou que pretendem ingressar) no mundo dos negócios. Experiência prática de mais de 25 anos no comando de empresas, na direção de entidades empresariais e na passagem pela administração pública, combinada com conhecimento disperso nas mais diversas mídias, sobretudo nos insubstituíveis livros, serão a base da coluna.
Nessa estréia, vamos falar sobre o primeiro (e mais importante) passo quando se tem em mente um projeto de negócio e a coragem e disposição para empreender. Trata-se da elaboração do Plano de Negócio, um documento relativamente simples e que tem como objetivo levar para o papel, de forma sistemática, ideias, premissas e números que, ao final, revelarão o grau de viabilidade (e de risco) do pretenso negócio. Nesse particular vale sempre recorrer a um antigo ditado que assevera: "Se a ideia for boa, caberá no papel".
São muitos os casos em que um novo negócio é iniciado, invariavelmente demandando investimentos que representam muito para o investidor e, em pouco tempo, revela-se inviável, fechando as portas e gerando enormes frustrações. Quase sempre, nessas situações, o empreendedor se deixou levar pelo entusiasmo e não deu a devida importância ao Plano de Negócio que, bem elaborado, apontaria a tendência à inviabilidade.
Mas, finalmente, o que é um Plano de Negócio? Quem deve ser contratado para elaborá-lo? De acordo com farta literatura disponibilizada pelo Sebrae em seu site (www.sebrae.com.br), "no Plano de Negócio ficam registrados o conceito do negócio, os riscos, os concorrentes, o perfil da clientela, as estratégias de marketing e o plano financeiro que viabilizará a nova empresa. E lembre-se que o Plano de Negócio não é um documento fechado em uma gaveta, mas um projeto vivo que você deve manter sempre atualizado". E o Sebrae vai além, disponibilizando uma didática cartilha "Como elaborar um Plano de Negócio" em formato .pdf (http://migre.me/99CpY). Seguindo a cartilha, o próprio candidato a empreendedor preparará seu plano sozinho, aqui e ali consultando um contador ou especialista em determinado assunto. Para facilitar ainda mais a vida do empreendedor, no mesmo site o Sebrae oferece informações ricas e detalhadas sobre dezenas de negócios, inclusive com a média de valores a investir (http://migre.me/99CJg). Em muitos casos, o candidato vai perceber que o negócio que pretende abrir envolve muito mais detalhes e variáveis do que ele supunha e, com isso, mudar de ideia ou ser mais cauteloso na decisão de empreender naquele ramo.
            Dito isso, mãos a obra e como diz Stephen Covey, first things first.



Para refletir: Um dos maiores desafios do gestor é saber o que é indelegável, ou seja, aquilo que cabe somente a ele executar.

Para ler: Winston Churchill CEO, de Alan Axelrod

Para visitar: www.sebrae.com.br

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terça-feira, 22 de maio de 2012

A ACESE e seu compromisso com Sergipe



(Discurso de posse como presidente em fevereiro de 2005)

                  É motivo de muita honra assumir a presidência da centenária Associação Comercial de Sergipe. Idealizada pelo português Antônio Martins de Almeida e fundada precisamente no dia 26 de maio do longínquo ano de 1872, a Associação Comercial de Sergipe decorreu da atitude progressista de um punhado de homens dedicados à atividade comercial. À época, Sergipe possuía população pouco superior a 176 mil habitantes e sua economia era baseada na cultura da cana-de-açúcar, no plantio do algodão e na pecuária. Dificuldades de várias ordens - como a falta de uma agência de crédito, de um porto, de vias de comunicação, dentre tantas outras -, despertaram nos fundadores da entidade a consciência da importância de se organizarem em torno de objetivos comuns.
Ao longo de sua história a Associação Comercial tem estado presente nos principais momentos da vida sergipana, inclusive naqueles mais difíceis. Assim o foi no ano de 1918, por ocasião da dolorosa epidemia da “gripe espanhola”, quando a entidade prestou assistência médica e colaborou no fornecimento de alimentos às vítimas do surto epidêmico. Sobre esse epsódio, assim registrou o “Diário da Manhã”: “Ninguém há que, sem praticar a maior das injustiças, possa desconhecer os relevantes serviços prestados espontaneamente pela Associação Comercial Sergipana, no doloroso período da visita que nos fez a influenza espanhola”.
O envolvimento direto, crítico e propositivo, nas matérias ligadas ao desenvolvimento de Sergipe, tem sido recorrente na história desta Associação. Um bom exemplo se deu na década de 1920, no prenúncio de uma nova era para o Estado. Em outubro de 1922 iniciou-se o quatriênio de Dr. Maurício Graccho Cardoso, que nas palavras da historiadora Maria Thetis Nunes seria “indiscutivelmente o mais destacados dos presidentes (da província) na Velha República, em suas tentativas de transformar, cultural e economicamente, o Sergipe provinciano, atrasado, num Estado moderno e progressista”. Neste período presidia a Associação Manuel Maurício Cardoso, determinado a construir uma nova sede para a entidade. Dada a impossibilidade de construí-la com recursos próprios, apelou-se a Dr. Graccho Cardoso que, de pronto, deu contribuição financeira de vinte contos de réis, cedeu o terreno e providenciou a elaboração do projeto a cargo do engenheiro Arthur de Araújo, que contou no plano arquitetônico com o apoio inestimável do artista italiano Belando Bellandi. A obra, iniciada em 1923, foi inaugurada no dia 13 de agosto de 1926, em solenidade histórica, muito concorrida e extremamente requintada, que contou com a ilustre presença do Presidente da República, Dr. Washington Luís. Naquela ocasião, o orador oficial da Associação, na saudação ao Presidente da República, enumerou as medidas necessárias ao desenvolvimento de Sergipe, destacando a abertura da barra e melhoramentos do porto, a ampliação das estradas e a instalação de uma carteira de redesconto no Banco do Brasil.
Registre-se que esta bela sede, deteriorada com o passar do tempo, foi completamente restaurada por iniciativa de um dos seus mais atuantes presidentes, Manuel Prado Vasconcelos Filho, já na década de 1990.
Anos depois o ex-Presidente da Província, Maurício Graccho Cardoso, tornou-se procurador da Associação Comercial no Rio de Janeiro, então capital da República. Graças aos seus esforços, a entidade obteve a prerrogativa de ser um órgão consultivo do Poder Público, através do Decreto 11.492 de 04/02/1943.
Nas décadas seguintes a Associação consolidou sua atuação como agente catalisador de idéias e ações relacionadas com o crescimento de Sergipe. No plano da assistência social instalou em sua própria sede o primeiro núcleo da Legião Brasileira de Assistência em 1942. Na década de 1950 agiu intensivamente junto às autoridades para a instalação de uma agência do Banco do Nordeste do Brasil. Já nos anos 60 liderou uma campanha junto a todos os setores da sociedade reivindicando a transferência da sede da RPNE da PETROBRAS  de Alagoas para Sergipe, fato que ocorreu em 1969.
Em nossa gestão vamos fortalecer esta tradição histórica de entidade atenta e atuante no que diz respeito ao desenvolvimento econômico e social de Sergipe.  Queremos liderar o processo de desenvolvimento local, em articulação com as mais diversas organizações e com o poder público, objetivando a construção de um cenário de competitividade sistêmica para as empresas, especialmente as micro e pequenas. A Universidade Federal de Sergipe já manifestou seu interesse em criar conosco um núcleo de estudos econômicos, inicialmente dedicado a análise de conjuntura mas, posteriormente, capaz de atuar como uma agência de desenvolvimento.
O Projeto Empreender, disseminado pela CACB e SEBRAE, trazido para Sergipe pelo ex-presidente Ancelmo Oliveira e consolidado pelo meu antecessor Fernando Carvalho, merecerá nossa especial atenção. Ampliando a parceria com o SEBRAE e buscando novos aliados, queremos multiplicar os núcleos atingindo as mais diversas atividades econômicas, por se tratar de um instrumento efetivo de fortalecimento dos pequenos empreendimentos a partir do associativismo e da cooperação. A interiorização do projeto, já iniciada, merecerá ser expandida atingindo novos municípios do nosso Estado.
Identicamente importante será a consolidação da Câmara de Mediação e Arbitragem Empresarial de Sergipe, instalada na Associação Comercial em parceria com diversas entidades, uma outra iniciativa do incansável Ancelmo Oliveira. A Câmara é um instrumento moderno dentre os métodos extra-judiciais de solução de controvérsias.
Uma outra tradição da Associação Comercial será mantida: a de lutar sem tréguas contra um inimigo chamado carga tributária, atualmente extrapolando o limite do suportável. Existe uma lição que sucessivos governantes, desde 1500, insistem em não aprender: o aumento de impostos em nada ajuda o país, porquanto a elevação da carga tributária acaba sendo repassada aos preços dos produtos e serviços e quem paga a conta é toda a sociedade. Aqueles que não conseguem fazer tal repasse são forçados a partir para a informalidade ou a praticar a sonegação, o que diminui a arrecadação. Em síntese, as contumazes elevações de tributos acabam por estimular uma espécie de desobediência civil em legítima defesa. No Brasil temos um sistema tributário anacrônico e regressivo, gerenciado por tecnocratas que fingem desconhecer o significado de capacidade contributiva e confisco fiscal, abandonando o primeiro e suprindo-se fartamente do segundo.
Neste momento, sob as lideranças da Confederação das Associações Comerciais do Brasil e do Fórum Empresarial de Sergipe, cerramos fileiras na luta contra a famigerada Medida Provisória 232 que penaliza severamente os prestadores de serviços optantes pelo regime do lucro presumido, invariavelmente empresas de pequeno porte. Continuaremos a combater com igual veemência as obrigações acessórias travestidas de exação, como é o caso da exigência de uso da Transferência Eletrônica de Fundos – a já famosa TEF – nas vendas através de cartão de crédito para empresas de qualquer porte, um pioneirismo às avessas rejeitado por empresários e consumidores sergipanos.
Outra tradição não menos importante também será preservada. Esta Associação manteve-se ao longo de toda a sua história eqüidistante dos embates político-partidários. Somos uma entidade política por natureza, porém apartidária por princípio. Independência e respeito à pluralidade da sociedade democrática são convicções das quais não abriremos mão. Com os dirigentes públicos continuaremos a manter uma interlocução crítica, respeitosa e colaborativa, contribuindo na formulação de políticas públicas que possam acelerar o processo de desenvolvimento de Sergipe.
A oferta de novos serviços, úteis ao corpo de associados, será um dos elementos capazes de atrair para os nossos quadros empresas do comércio, da indústria, do setor de serviços e do agronegócio que ainda não se somaram a nós.
Vamos avançar na construção de uma entidade forte, representativa, capaz de agir com determinação, firmeza e independência em favor dos mais legítimos interesses do setor produtivo de Sergipe. Faremos a defesa sistemática da imagem do empresário como agente de transformação, cuja conduta está pautada na ética e na responsabilidade social.
Entusiasmo, dedicação e coragem não faltarão a esta diretoria que ora assume os destinos da Associação Comercial de Sergipe. Que Deus nos ilumine e guie nossos passos nesta fascinante e desafiadora missão.