domingo, 17 de abril de 2011

A velha e boa Lisboa (em outubro de 2009)


     Visitar Lisboa em outubro com temperaturas que chegam a 30°C não é a melhor das opções, sobretudo porque as caminhadas – melhor forma de conhecer as cidades européias – tornam-se desagradáveis com as altas temperaturas. Mas mesmo assim dá para aproveitar algumas das boas coisas que a capital portuguesa tem para nos proporcionar. Ficamos hospedados no Novotel, moderno, confortável e bem localizado, com excelente custo-benefício (apenas 80 euros a diária com reserva feita pelo booking.com).
     Saindo do hotel caminhamos até o Parque Eduardo VII e chegamos à Praça Marquês de Pombal. Dali seguimos pela Avenida Liberdade com uma parada no Quebra Mar, pequeno restaurante de frutos do mar (os ibéricos adoram expor frutos do mar em vitrines) com mesas na calçada, simples e charmoso, para petiscar sardinhas fritas acompanhadas de um Quinta da Bacalhoa (em quase todo lugar se bebe um bom tinto nacional com preços entre 20 e 30 euros).
     Um pouco mais à frente está a Praça dos Restauradores, onde fica o Hard Rock Café. Já era começo de noite e resolvemos pegar um taxi (paga-se relativamente pouco, com corridas médias inferiores a 10 euros) em direção às Docas de Lisboa, onde ficam bons restaurantes ao lado de uma marina. Escolhemos um especializado em frutos do mar e pedimos um bacalhau a lagareiro (assado com batatas ao murro) acompanhado de um Esporão Reserva. A noite era de lua e a temperatura caiu um pouco, tornando ainda mais agradável aquela primeira noite em Lisboa.
     Nos dias seguintes fizemos roteiros clássicos e interessantes. Visitar o Baixio e Alfama de elétrico (bondinho antigo que percorre as ruas da Lisboa antiga) é sempre divertido. No Largo do Chiado  toma-se o elétrico descendo (nossa primeira tentativa de pegar o elétrico subindo deixou a condutora nervosa ao tentar nos explicar que estávamos errados). Aliás, salvo raras e honrosas excessões, o mau humor predomina nos serviços das grandes cidades européias, com destaque para os garçons, exceto os brasileiros que, felizmente, existem muitos. Nesse mesmo largo fica o famoso A Brasileira, um café que se notabilizou por ser frequentado por Fernando Pessoa, homenageado com uma estátua de bronze sentado a uma mesa com uma cadeira do lado para você sentar e tirar uma foto, a exemplo do que fazem 100% dos turistas que ali passam. Se vagar uma mesa, vale a pena sentar, preparar-se para lidar com mais um garçon mal humorado e pedir um imperial (chopp), nunca cerveja em lata ou garrafa porque sempre vêm quentes.
     O roteiro de Belém é igualmente obrigatório e inclui visita à Torre, ao Monumento dos Descobrimentos e ao Mosteiro dos Jerônimos, em cujas imediações ficam os lugares onde são vendidos os imperdíveis pastéis de Belém.
     No último dia optamos por conhecer as praias de Cascais e Estoril, afastadas cerca de 30 km do centro de Lisboa. O transporte mais fácil é o trem, que se pega na estação do Cais de Sodré onde se faz a conexão a partir do metrô. O trem parte a cada 20 minutos, custando apenas 1,70 euro e demorando pouco mais de 30 minutos até Cascais, onde existem muitos bares, restaurantes e lojas. Vale uma paradinha no Dom Manolo para saborear os tradicionais bolinhos de bacalhau e sardinha frita. Mas não o faça caso não esteja com algum euro no bolso, pois o lugar não aceita cartão de crédito.
     Pela calçada à beira mar fomos até Estoril e retornamos no mesmo trem.  Com o calor de 30 graus, é fácil encontrar europeus de todas as partes (com destaque para nórdicos e franceses) se deliciando nas praias e curtindo os últimos dias do verão europeu. Aproveitando o metrô e resolvemos terminar o dia no Parque das Nações, extremo oposto da cidade, onde fica o shopping Vasco da Gama e vários restaurantes espalhados por um imenso parque. Havendo tempo, é recomendável o percurso no teleférico e a visita ao oceanário.
     Na ultima noite resolvemos jantar num lugar diferente, com alguma movimentação musical. Escolhemos o Speakeasy (www.speakeasy-bar.com), que também é conhecido como “O Bar de Jazz de Lisboa”. Se bem que acabamos mesmo foi vendo um show da Cuca Roseta, cantora portuguesa que dá ares de modernidade ao tradicional fado português. A decoração simpática aliada à programação musical intensa e diversificada proporcionam uma noite original. É uma casa bonita, com as paredes cobertas de fotografias de músicos famosos que por ali passaram. O nome Speakeasy remete aos “loucos anos 20”, época da Lei Seca nos Estados Unidos, quando se consumiam álcool e música em sítios clandestinos, mas com ambientação especial. As pessoas só falavam desses lugares quase sussurrando.
     Finda a temporada portuguesa, prosseguimos na penísula, mas desta feita na capital espanhola. E aí foram outros quinhentos ...

(*) Co-autoria de @EloisaGaldino.

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